Ao contrário da Ortodontia, a Ortopedia não aplica forças diretamente aos dentes e nem mesmo usa força mecânica para conseguir tratar os problemas de má-posições dos dentes. Este método de tratamento tem uma concepção totalmente diferente.

Vamos usar um exemplo. Quando uma criança tem pernas tortas, o médico ortopedista pode receitar botas ortopédicas. Usando corretamente essas botas por algum tempo, as pernas irão se endireitar. Na medicina, esses tipos de aparelhos são chamados órteses.

A Ortopedia Funcional atua de forma semelhante. Os alicerces dos dentes, que são os ossos da maxila e mandíbula, podem apresentar alguns problemas, como se fossem as “pernas tortas”. Em conseqüência disso, os dentes podem se apresentar também em posições erradas, mostrando-se então a má-oclusão dental. Bem, se pudermos corrigir a posição dos óssos, os dentes possivelmente irão para uma posição mais normal. É exatamente isso que a Ortopedia faz.

Mas não faz só isso. Mesmo nos casos em que não há muito comprometimento dos óssos, a Ortopedia consegue também corrigir os problemas dentais. Lembrem-se: andando com as botas ortopédicas as pernas “desentortam” às custas dos músculos e do simples fato de andar com elas.

Ao contrário da Ortodontia, a Ortopedia não precisa das coroas dos dentes permanentes erupcionados para começar o tratamento. Os aparelhos usados em Ortopedia atuam sobre os óssos, músculos e outros elementos da face para obter a correção. Pensem bem, numa criança na fase da dentição mista, se levarmos o osso alveolar para uma boa posição, estaremos levando junto os germes dos permanentes que irão erupcionar. E se durante a erupção, guiarmos esses dentes para uma posição melhor ainda, teremos logo cedo correção total de todos os problemas dessa criança. Pode perfeitamente ocorrer que não seja necessária futura Ortodontia Fixa.

A Ortopedia Funcional usa aparelhos removíveis. Não confundam com os antigos removíveis da Ortodontia. Têm modo de ação e objetivos totalmente diferentes.

Aparelhos removíveis têm ainda outras vantagens: não provocam cáries, doenças da gengiva e facilitam a correta higienização bucal.

A Ortopedia “trabalha” em conjunto com o crescimento da criança. Assim, da mesma maneira que na ortopedia médica, somente pode ser utilizada e conseguir bons resultados se aplicada durante o crescimento facial. Após o estirão pré-pubertal, ou seja aos 12 ou 13 anos, seus resultados são bem mais limitados. O ideal é começar qualquer tratamento logo que se apresente a displasia facial ou a má-oclusão dental.

Na Europa recomenda-se começar o tratamento entre os 5 e 9 anos de idade no máximo, dependendo da severidade do problema apresentado pela criança.

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